Nota do MPL Nacional sobre a expulsão do coletivo de Curitiba

O MPL Nacional acaba de publicar uma nota repudiando a inadmissível declaração lançada recentemente pelo coletivo de Guarapuava e esclarecendo o processo de expulsão do coletivo de Curitiba devido ao acobertamento e defesa de um agressor machista em 2012. O MPL São Paulo considera que essa nota nacional tardou muito a sair. Compreendemos, no entanto, que devido a estrutura federalista do movimento nacional, os processos de deliberação tem um ritmo lento, pois as decisões devem ser discutidas nas reuniões municipais de cada MPL.

O MPL-SP rechaça inteiramente a declaração do coletivo de Guarapuava, que além de defender o indefensável, se posicionando ao lado do agressor, também desrespeitou as instâncias de deliberação do movimento. O texto, além disso, mente ao dizer que, durante o processo que culminou na expulsão de Curitiba, o caso de violência machista que o MPL-SP enfrentou em 2011 não foi mencionado no debate. Nossa posição na discussão nacional do ano passado não tinha como não envolver uma reflexão sobre os problemas e erros da postura que adotamos em 2011, os quais continuam a ser discutidos no movimento. Isso é expressamente mencionado na contribuição pública do MPL-SP ao início do debate divulgada em outubro de 2012 (acesse clicando aqui).

Segue a íntegra da nota nacional:

Nota do MPL Nacional

Em outubro de 2012, o Movimento Passe Livre tomou conhecimento da denúncia de uma agressão machista de um militante do então MPL-Curitiba (http://bastademachismo.blogspot.com.br/).  Apresentada em nosso fórum nacional, a questão foi levada à discussão nas reuniões de cada MPL municipal, e todos se posicionaram em repúdio ao ocorrido e exigindo de Curitiba atitudes concretas no mesmo sentido.

Contudo, o MPL-Curitiba não se manifestou publicamente, nem tomou medidas no sentido de não compactuar com o ocorrido; ao contrário, assumiu uma postura defensiva, acobertando o agressor e justificando seus atos. Entendemos que tolerar ou ignorar um caso de violência de gênero como este, sobretudo em um espaço que se pretende transformador da realidade, é inadmissível.

Após um longo processo interno, em dezembro de 2012 o MPL Nacional decidiu consensualmente pelo afastamento por tempo indeterminado do coletivo de Curitiba, por quebra dos laços de confiança e pelo desrespeito deste aos termos expressos em nossa Carta de Princípios [“O MPL se coloca contra todo tipo de preconceito (racial, sexual, gênero etc)”], que garante adesão e permanência dos coletivos locais à unidade do MPL nacionalmente.

Por isso, ainda que se mantenha ativo e usando o nome de “MPL-Curitiba”, à revelia da decisão nacional, desde novembro de 2012 este grupo já não faz mais parte do MPL, nem fala em nome deste. A decisão se manterá, mas caso o coletivo sinalize um verdadeiro compromisso com a luta e o debate de gênero, estaremos abertos para retomar o diálogo e, se possível, reatar vínculos de confiança.

É também com estranheza que recebemos, no início da semana, uma nota pública assinada pelo MPL-Guarapuava em defesa de Curitiba que, além de conter informações mentirosas, contraria a posição nacional que o próprio coletivo ajudou a construir. Antes de iniciarmos o debate interno sobre que medidas tomaremos em relação ao ocorrido, expressamos desde já nosso total repúdio em relação à atitude de Guarapuava.

Por um mundo sem machismo e uma vida sem catracas,

Movimento Passe Livre – Brasil
05/2013

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