Ato “Copa pra quem?” na final

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No próximo domingo (30/06), às 16h no Vale do Anhangabaú, simultaneamente à final da Copa das Confederações, o Comitê Popular da Copa de São Paulo convoca uma mobilização para questionar os impactos dos megaeventos e dizer não à escalada de repressão! Contra as remoções forçadas, perseguição aos trabalhadores ambulantes, prisão arbitrária de moradores de rua usuários de drogas, assassinatos nas periferias e no campo, repressão aos movimentos e manifestações populares, reivindicamos: CONTRA A APROVAÇÃO DA LEI ANTI-TERRORISMO e PELA DESMILITARIZAÇÃO DA POLÍCIA MILITAR!

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Nota do Comitê Popular da Copa pela desmilitarização da PM:

Comitê Popular da Copa-SP pergunta: Polícia Militar pra quem?

Na cidade e no campo, o Brasil tem uma história longa de criminalização dos movimentos sociais. Desde as revoltas na época do Império, passando pelas greves gerais do começo do século XX e chegando até o tempo pós-ditadura, com massacres promovidos pela Polícia Militar, como o do Carandiru (1992), o de Eldorado dos Carajás (1996) e os crimes de maio de 2006, que originaram o surgimento das Mães de Maio, lutadoras que buscam verdade e justiça para seus filhos – e todos os outros jovens majoritariamente pobres e negros assassinados ou encarcerados pelas periferias do país. Entre 2000 e 2011, foram mais de 4.600 mortos pela PM em São Paulo, considerando apenas as denúncias que chegaram até a Ouvidoria da própria corporação.

Esta semana, pela primeira vez em sua gestão, a presidenta Dilma Roussef recebeu pessoalmente um movimento social: o MPL (Movimento Passe Livre), que há 8 anos luta pelo transporte público gratuito e de qualidade para todos. Isso não aconteceu da noite para o dia: foram diversos grandes atos pelo país que, até serem retratados como manifestações “de bem” pela mídia, tiveram o mesmo tipo de tratamento violento por parte da polícia. O dia 13 de junho marcou, em São Paulo, uma nova batalha da Maria Antônia, que terminou com mais de 200 pessoas detidas e muitas outras feridas – entre elas, 20 jornalistas, com um deles tendo perdido a visão de um olho.

Enquanto Comitê Popular da Copa – São Paulo, não podemos deixar de notar que todas as nossas lutas são atravessadas pela mesma questão: a presença da Polícia Militar como “mediadora” do conflito. Nas manifestações populares, é esta corporação que determina o começo e o fim, muitas vezes impedindo o trajeto do ato e reprimindo quando acha que é hora de reprimir. Nas remoções forçadas, também é a PM quem faz o trabalho sujo de expulsar moradores de suas casas – está aí o Pinheirinho pra não nos deixar esquecer. No tratamento dos trabalhadores ambulantes, é outra vez a PM quem extorque, agride e prende quem ousa desafiar seu poder quase feudal. Nas ruas, nem é preciso dizer muito: é mais uma vez a PM quem persegue, agride, prende e mata os sem-teto e os usuários de droga dos grandes centros urbanos do Brasil. No campo não é diferente: sem-terra e indígenas recebem o mesmo tratamento truculento quando a PM é chamada para “dialogar”. E também é a PM que reprime as torcidas nos estádios.

Hoje, a Força Nacional de Segurança, que reúne polícias militares de diversos estados, está presente em 5 das 6 cidades-sede da Copa das Confederações: Rio de Janeiro, Salvador, Brasília, Belo Horizonte e Fortaleza. Em um ano, estarão presente em todas as 12 cidades-sede da Copa da FIFA, e as notícias de violência nas manifestações que recebemos hoje certamente se repetirão. Mas isso ainda pode ficar pior: com a aprovação da Lei Geral da Copa, foi criado um “estado de exceção” que permite à FIFA demandar e ao poder público fazer uso das Forças Armadas, que receberam mais de 1 bilhão de reais de recursos públicos para fazer a segurança apenas destes eventos. Além disso, está em vias de aprovação o PL 728/2011, conhecido como “Lei Anti-Terrorismo”, que propõe a criação de uma nova categoria de crime no Brasil: o terrorismo, um amplo “guarda-chuva” onde podem ser enquadrados desde grevistas até manifestantes, passando, é claro, pelos movimentos populares.

A Polícia Militar é dividida hierarquicamente entre oficiais e praças, havendo um abismo entre as duas categorias, com os oficiais tendo privilégios (como as maiores aposentadorias do país!) e os praças servindo, quase sempre, como “bucha de canhão” – abismo muito bem retratado no filme Tropa de Elite. Enquanto trabalhador, o policial militar não tem direito de greve – qualquer greve é tratada como motim, sendo passível de expulsão da corporação; é submetido ao Superior Tribunal Militar, onde o principal crime julgado é (pasmem!) o uso de maconha por jovens nos quartéis; e, dependendo da patente, é proibido de dar entrevistas ou expressar sua opinião pessoal. De quase 100 mil policiais militares em São Paulo, cerca de 5.000 são oficiais, apontados nas denúncias como os maiores responsáveis pelas mortes nas periferias.

Por seu caráter militar, a estrutura da PM é tão fechada que não há nem sequer uma corregedoria independente para apurar os crimes cometidos por policiais. Não há, assim, nenhum controle externo sobre as ações da corporação.

Na cidade de São Paulo, vivemos por anos tendo oficiais da reserva da Polícia Militar como subprefeitos em 30 das 31 subprefeituras. Na última eleição municipal, foram três vereadores eleitos, entre titulares e suplentes, oriundos de uma carreira militar. Eles constituem a famigerada “bancada da bala”, defensora de práticas violentas e de leis que remetem à época da ditadura. Estamos sendo comandados e legislados há tempos por militares, que, atendendo ao crescente clamor por “lei e ordem”, acabam de criar o Partido Militar Brasileiro.

Coincidentemente ou não, nas recentes manifestações pelo país em que não houve presença ostensiva e ativa da Polícia Militar, não houve também episódios de violência contra os manifestantes. “Que coincidência, não tem polícia, não tem violência”, cantavam milhares de pessoas pelo Brasil afora.

A sociedade brasileira encara hoje um conflito: de um lado, o aumento da presença de militares na vida política do país; de outro, a voz de milhares de pessoas que sofrem com a violência policial e que desejam um outro cotidiano. O Comitê Popular da Copa-SP já fez a sua escolha: pela desmilitarização da polícia; pelo fim do uso de armas menos letais; pelo fim dos assassinatos cometidos pela PM nas periferias e no campo; pela liberdade de manifestação antes, durante e depois da Copa.

Porque não se trata de maus policiais ou de falta de preparo: é a própria existência de uma polícia com caráter militar, oriunda da ditadura também militar, que tem que ter um fim.

Domingo, 30 de junho, final da Copa das Confederações, no Vale do Anhangabaú, o 4o ato “Copa Pra Quem?” traz uma nova pergunta: Polícia Militar pra quem?

Comitê Popular da Copa – SP

9 Replies to “Ato “Copa pra quem?” na final”

  1. durante muito tempo vi a juventude estudantil preocupada _somente com baladas,buteco,e outras coisas do tipo ;cheguei a pensar que a força estudantil que sempre teve participaçao tao importante na historia politica do nosso pais senti um orgulho enorme ao ver que ainda a esperança para de um dia a democracia tenha o mesmo peso e o mesmo sabor para todos nos. Parabens a todos vos,Parabens a todos nos

  2. Quero participar com vocês, vou participar com vocês, quero ser útil com vocês e com muita satisfação.

  3. sai nas ruas tambem .pacificamente para protestar contra essa covardia que e o fator previdenciario que reduz o salario do aposentado pela metade na hora da aposentadoria .desculpa sou um partidario iludido com tantas promessas desse presidente lula prometeu lutar para o aposentado ter seus salarios diguino e ele mesmo nao fez nenhum esforsso ao nosso favor ;ele mesmo acabou de nos rebentar votando ao contrario .temos que lutar contra o fator voltar nossos direitos acabar com o fator .pense bem ;no futuro vai acabar prejudicando todos nossos jovens .vamos a luta m.p.l sempre. p.t nunca mais .

  4. Gostei muito do artigo. De fato somos escorraçados diariamente pela polícia militar, que vive a serviço da defesa do patrimônio dos donos do país (a elite brasileira). Esse é o momento de reunirmos forças para dar um basta a essa opressão.

    Alberto Lopes

  5. A PEC 102 seria a solução?

    Fiquem de olho no trâmite dessa PL 728/2011.

    Vi esses dias uma lista de dep. que têm ligação indireta com o trabalho escravo, principalmente nas regiões centro-oeste, norte e nordeste.

    suspeitos: http://reporterbrasil.org.br/listasuja/resultado.php

    Passe livre agora deveria expandir suas visões nas reivindicações, a exemplo do que continha na carta à presidente Dilma.

    Tem que acolher mais ativistas. Tem que incomodar.
    E não se esqueçam de levar muitos cartazes dia 30.

    Vocês estão de parabéns!

  6. Precisamos de policia municipal como ja e visto na maioria dos paises do mundo,nos como sempre somos uns dos poucos paises do mundo ainda ter policia militar,estamos juntos dia 06

  7. Estivemos presentes em todos os atos e organizando outras atividades neste momento de luta como o grito dos excluidos e as atividades no campo, mas nesta atividade nao vemos necessidade deste confronto com quem ira ao vale para assistir a final da copa das confederacoes. Sera um momento que poderiamos estar em outro lugar e colocar pra populacao as consequencias da copa inclusive achamos que ia ser no Pacaembu como dissemos nao sera bom este confronto com os torcedores ate porque e um direito deles tambem. mas em outras estaremos. Abracos. Mario jr