Transporte, saúde e cultura não são mercadoria! Informes dos atos da última semana

A luta por transporte público não acontece isolada: ela caminha junto de várias outras lutas, na retomada da cidade e resistindo à mercantilização de nossas vidas. Na última semana, o MPL esteve junto dos Metroviários na denúncia daqueles que lucram com nosso sufoco, mas também saiu às ruas com movimentos de saúde pública e de trabalhadores da cultura. Segue abaixo os informes dos atos:

14/08: Ato contra os desvios no metrô, por um transporte verdadeiramente público!

No dia 14, mais de 2500 pessoas marcharam pelo centro da cidade para denunciar o cartel e o desvio de mais de 570 milhões reais de dinheiro público nos contratos das licitações do Metrô e da CPTM. Convocada inicialmente pelo Sindicato dos Metroviários, a passeata contou com apoio de diversos grupos, dentre eles o MPL. Estivemos juntos porque sabemos que só com a união da luta dos passageiros com a dos trabalhadores do transporte que poderemos conquistar um transporte verdadeiramente público, sem tarifa e sob controle popular.

A manifestação se concentrou a partir das 15h no Vale do Anhangabaú, de onde seguimos pelas ruas do centro em direção à sede da Secretaria Estadual de Transportes. Lá chegando, foi colocado fogo em um boneco apoiado sobre uma catraca, representando os capitalistas que lucram com o sistema de transporte. Ao som da Fanfarra do M.A.L. e de outras baterias, os manifestantes cantavam “chega de sufoco e de político babaca, a gente tá lutando por uma vida sem catracas!“. A marcha terminou ao fim da tarde na praça da Sé, onde a catraca foi novamente destruída e foi realizado um jogral de encerramento defendendo a transformação radical do sistema de transporte.

Leia mais sobre o ato nas postagens anteriores (aqui e aqui) e assista um vídeo abaixo (publicado pela página “Linha 10 na Luz”):

13 e 16/08: Atos em defesa do SUS 100% público!

Nos dias 13, terça-feira, e 16, sexta, aconteceram duas marchas convocadas pelo Fórum Popular de Saúde em defesa de um SUS 100% público, estatal e gratuito, e o MPL esteve junto em apoio. O ato de terça-feira reuniu algumas centenas de pessoas na avenida Paulista e seguiu em direção ao Hospital Sírio-Libanês, para denunciar a ligação do então Secretário Estadual de Saúde, Guido Cerri, com a instituição e os interesses do setor privado. Radical e classista, a mobilização teve impacto imediato: logo em seguida, o secretário pediu demissão do cargo. A vitória do movimento deixa claro que é possível lutar e vencer, que o povo organizado é forte e pode transformar a realidade.

Mas de nada adianta trocar este por aquele secretário se a política de privatização do sistema de saúde permanece. É preciso acabar com a própria lógica desse sistema que trata saúde como mercadoria. Por isso, na sexta-feira foi realizado mais um ato, em frente à Secretaria de Saúde, nas Clínicas. Dali, os manifestantes seguiram em direção ao consultório particular do novo secretário, David Uip, para propor mais investimentos no SUS deixar um recado claro: enquanto o sistema não for 100% público, não haverá sossego.

O MPL saúda as mobilizações e avanços do Fórum Popular de Saúde, com quem ombro a ombro construímos uma mundo sem catracas, nos ônibus e nos hospitais. Na certeza de que só a luta muda a vida, entendemos que é preciso aproximar e unir nossas lutas – não apenas nos discursos e panfletos, mas com apoio mútuo concreto e trocando experiências. Lutar, criar, poder popular! (Leia mais dos atos aqui)

 

17/08: Esculacho popular “Café-batucada: Eu também quero decidir”

Na manhã do último sábado, dia 17, estivemos juntos da RECUSA (Rede de Cultura e Solidariedade Autônoma), que organizou uma batucada em frente ao Novotel Jaraguá, no centro de São Paulo, contra as renúncias fiscais e a promiscuidade entre governo e empresários na cultura. Dentro do hotel, representantes do Ministério da Cultura e políticos se reuniam com empresários em um seminário para discutir financiamento público para cultura, cuja participação era restrita àqueles que pagaram R$350,00. Contra a política do coffee break, os trabalhadores da cultura organizaram um cafézinho popular do lado de fora. Após o café, os manifestantes entraram no hotel e surpreenderam o elenco que participava da reunião com um escracho: “Si hay renuncia, soy contra!”

“Que se diga, mais uma vez:
– O que se defende é uma política pública de Estado, e não apenas de governo, estabelecida em leis com regras claras e democráticas, e com orçamentos próprios, o que obrigaria os governos, como Poder Executivo, a executá-las. O que se defende é uma abertura para programas e não um programa único como o incentivo fiscal. O que se defende são leis – a serem construídas no tempo – e não uma lei única como o Procultura.
– O que se defende é um Fundo Nacional de Cultura, que não é programa, mas um instrumento contábil para a ação dos governos, com orçamento e regras claras estabelecidas em leis; que seja administrado através de editais, que serão sempre refeitos e discutidos, tendo um caráter conjuntural, ao contrário dos programas acima, que têm caráter estrutural e estruturante, caráter de continuidade.
Aos representantes do Estado exigimos impacientes que cumpram nossas exigências.”

 

Transporte, saúde e cultura não são mercadoria!

Só a luta muda a vida!

One Reply to “Transporte, saúde e cultura não são mercadoria! Informes dos atos da última semana”

  1. Mais uma vez, pretende que mudança ocorra sem a concomitante mudança do Estado. Como foi dito nada adianta mudar um homem se se põe outro no lugar com o mesmo pensamento. Mas para por outro pensamento novo no lugar do antigo alguns homens precisam dar lugar a outros homens. E um partido de massas coerente com a ação radical de mudança precisa nascer e tomar o controle do Estado de preferência por intermédio de conselhos populares, de trabalhadores, jovens e estudantes numa estrutura horozintal que empreste seus poderes a uma vanguarda política nascida de dentro dos movimenos sociais e fiel a esses movimentos.

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