“Primeiras chamas”: os atos regionais que inauguraram as Jornadas de Junho

Pouca gente lembra, mas a revolta popular que tomou São Paulo e derrubou os aumentos nas tarifas de metrô, ônibus e trem, não teve início nos “grandes atos” convocados pelo Movimento Passe Livre no centro da cidade. Foi a partir da organização e mobilização de estudantes secundaristas em suas escolas, nas semanas anteriores, que se acenderam as “primeiras chamas” das Jornadas de Junho. O primeiro protesto contra o aumento da passagem em 2013, por exemplo, aconteceu ainda em maio, puxado por alunos da EE Ermano Marchetti, em Pirituba. Com apoio do Movimento Passe Livre e dos batuques rebeldes da Fanfarra do MAL, 200 estudantes ocuparam o Terminal Pirituba e a estação da CPTM, queimaram uma catraca e bloquearam vias importantes da região, dando largada a uma jornada de lutas que, em poucas semanas, reuniria centenas de milhares de pessoas. Nos dias seguintes, outros atos em escolas se seguiram no D. Pedro, no Jaguaré, Lapa, M’Boi, Grajaú…

O mini-documentário “Primeiras Chamas” relata um pouco desse processo, entrevistando alunos e resgatando a memória de dois desses atos: o da EE Ermano Marchetti, em Pirituba, e o da EE São Paulo, no D. Pedro.

Neste momento – depois de termos visto a luta triunfar, conquistando pela primeira vez na história da cidade a revogação do aumento, tendo reunido centenas de milhares de pessoas nas ruas, dando ao movimento uma dimensão e visibilidade nacional -, é preciso mais do que nunca relembrar onde nossa luta começou. E é preciso também lembrar que, se aconteceu tudo isso, não foi por acaso, e sim resultado de muito trabalho e organização anterior. Ao contrário do que muitos querem fazer parecer, as lutas não acontecem “do nada”, como um fenômeno espontâneo gerado pela internet. Os movimentos sociais – e o MPL é um deles – existem porque estão permanentemente em ação, não só nas ruas protestando, mas também nas escolas, bairros, ocupações, locais de trabalho, etc, debatendo e se organizando.

Resgatemos as primeiras chamas! Fogo na catraca!

 

(Alguns posts da época desses atos:

Luta contra o aumento: calendário de ações da semana

Ato contra o aumento invade Terminal Pirituba

Ato contra o aumento queima catraca no Terminal Pq. D. Pedro

http://saopaulo.mpl.org.br/2013/06/06/acoes-pela-cidade-divulgam-o-grande-ato-do-dia-6/)

3 Replies to ““Primeiras chamas”: os atos regionais que inauguraram as Jornadas de Junho”

  1. Meu nome é Waldir tenho 50 anos, fui muito reprimido na ditadura e vibrei com vocês quando derrepente apareceram de forma triunfal para agitar este país com manifestações maravilhosas, mas, onde estão vocês agora??? acabou??? o supremo fez esta manipulação para favorecer os ladrões mensaleiros e vocês não falam nada?? cadê o povo nas ruas, na frente das casas dos ministros do supremos, na frente das casas dos mensaleiros?? Vamos gente, tem muita gente “velha reprimida” que está vibrando com a juventude de teus protestos!! Vamos gente façam barulho que estaremos ali junto com voces, não deixem esfriar, não deixem de incomodar!! é um pedido de mais um brasileiro que quer ver mudanças de verdade!!

  2. Eu não posso bater no peito e dizer que fui nos grandes atos, porque eu não fui!! Só posso dizer que fui na manifestação aqui em Ribeirão Pires, onde moro. Mas cara… sempre que der eu irei e morrerei com a tristeza de saber que não participei de nenhum dos grandes atos, o que talvez alivie em mim esse sentimento é pensar que protestos com aquela dimensão pode ocorrer na copa de 2014.

  3. Adorei “Resgatemos as primeiras chamas!”. Gostaria de parabenizar o MPL pelas suas contribuições na busca de uma sociedade mais justa. Considerando o poder de mobilização do MPL gostaria de fazer uma provocação aos lideres do movimento para que ajudassem uma vez mais este país. Não se trata de uma proposta focada em um item específico, mas sim de uma proposta de cunho geral. É sabido que na próxima quarta-feira será conhecido o voto de desempate sobre a questão dos embargos infringentes relativos ao processo do mensalão. Ao que tudo indica o ministro Celso de Mello deve votar em favor destes embargos, o que significa que alguns itens do processo do mensalão serão reavaliados, agora por uma corte recomposta e aparentemente imatura, ou seja, a chance de que alguns cenários sejam revertidos é grande. É aí que entra o MPL e sua capacidade de mobilização. Penso que estamos no topo da montanha, ou rolamos de volta para o lado da impunidade ou desandamos para o outro lado, o de um país mais justo, onde quem deve paga. SOCORRO. Ajudem a mobilizar o pais até quarta-feira. Talvez o ministro Celso reavalie sua provável posição ou talvez o incentivemos ainda mais a votar contra estes embargos. Quem sabe a ministra Rosa Weber não muda sua posição diante do clamor das ruas? Sei que este não é o foco do MPL. Mas que pode contribuir pode, com certeza. Então: Resgatemos as primeiras chamas!

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