Aguyjevete: sobre a semana nacional de mobilização indígena

Antes mesmo do Movimento Passe Livre de São Paulo convocar as manifestações contra o aumento da tarifa, em 16 de abril indígenas de todo o Brasil invadiram o Congresso Nacional protestando contra a PEC 215, uma medida que transfere ao legislativo a competência de demarcação das terras indígenas, permitindo inclusive a revisão das terras já demarcadas. Uma investida clara do agronegócio contra os direitos assegurados aos índios pela Constituição.

Essa ação-direta inspirou a radicalidade dos protestos que se seguiram em junho, e que se espalharam pelo país. Mas, se conquistamos a redução da tarifa em mais de 100 cidades e diversos movimentos sociais avançaram em suas pautas de reivindicação, os ataques aos indígenas aumentaram: a bancada ruralista instaurou, agora em Setembro, a Comissão Especial que analisará e encaminhará a PEC 215 para votação.

Os barões do campo são os mesmos barões das catracas. Cada centavo de dinheiro público gasto no financiamento dos monocultivos de cana-de-açúcar e soja, que expulsam os Kaiowá e Guarani de suas terras no Mato Grosso do Sul, é um investimento no transporte individual movido a álcool e biodiesel. O território dos mbya e ava-guarani no sul e sudeste do país são cada vez mais recortados por rodovias que se alargam devido  ao número crescente de carros, impactando cada vez mais suas terras, muitas delas ainda não demarcadas.

O Movimento Passe Livre sempre lutou por uma cidade feita para aqueles vivem e trabalham nela, da mesma maneira que o movimento indígena luta pela terra – a lógica dos despejos e da especulação imobiliária que nega aos pobres o centro das cidades é a mesma que expulsa os indígenas de seus territórios. Na quinta-feira passada, quatro aldeias guarani de São Paulo realizaram um travamento da Rodovia dos Bandeirantes, demonstrando que suas vozes não se calarão enquanto os ataques aos seus direitos continuarem. O MPL se soma à Comissão Guarani Yvyrupa na mobilização nacional convocada pela Articulação dos Povos Indígenas do Brasil e convida todos e todas que estiveram conosco nas jornadas de Junho, para se juntar à dos índios que já dura mais de 500 anos.

Que o último ruralista seja derrubado com a última catraca!

Aguyjevete pra quem luta!

MPL-SP

30 de Setembro de 2013

Ato no dia 2/10, 17h, no vão do MASP: https://www.facebook.com/events/156206727919402/

7 Replies to “Aguyjevete: sobre a semana nacional de mobilização indígena”

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  2. Pingback: Combate Racismo Ambiental » Junto com movimentos sociais, indígenas Guarani de SP protestam contra bancada ruralista em frente à Alesp

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  4. Pingback: Movimento Passe Livre – São Paulo » Blog Archive » Apoio à mobilização nacional indígena!

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  6. Muito bom o texto, gostei da clarevidência ao apontar que os “mesmos” homens de terno e gravata que estão fodendo o povo na cidade é o mesmo que anda de bonita e chapéu em sua hilux nas zonas não urbanas, no campo, nas aldeias e etc.

  7. Tem outra catraca (no MINC) que dá dinheiro pra ativista montar site dizendo que é pra projeto de inclusão digital e depois divulgar o que quer ali, articulado com partidos emergentes. Enquanto isso, artistas e intelectuais alternativos ficam sem grana pra tocar seus projetos culturais.

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