Reunião pública com o Prefeito Haddad convocada pelos moradores do Marsilac

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Abaixo, texto do pedido de reunião entregue pelos moradores na Prefeitura, protocolado com o número 015704:

São Paulo, 22 de Abril de 2014

REF.: Convocação para reunião entre Prefeitura da cidade de São Paulo e Moradores da Região do Marsilac.

Os moradores da Ponte Seca, Marsilac, Mambu e Região convocam os Sr. Prefeito Fernando Haddad para uma reunião pública no dia 28 de Abril, às 10h, em frente à prefeitura da cidade de São Paulo para discutir a implantação da linha de ônibus tarifa zero Mambu/Marsilac.

Há mais de um ano nós, moradores da Ponte Seca, Mambu e Marsilac, lutamos pela criação de duas linhas de ônibus na nossa região (Reserva – Embura e Mambu – Marsilac). O trajeto que percorremos cotidianamente chega a até 15km, o que corresponde à cerca de 3h de caminhada. A ausência de transporte público representa uma barreira na concretização do acesso aos direitos básicos ligados às necessidades inadiáveis da comunidade como saúde, educação, trabalho, lazer e cultura.

Desde o início de 2013, participamos de uma série de audiências e reuniões com a Subprefeitura de Parelheiros, o Conselho Gestor da APA Capivari-Monos, representantes da Secretaria do Verde e do Meio Ambiente, representantes da Secretaria de Transportes e da SPTrans, e nesse processo conseguimos a aprovação da linha Mambu – Marsilac, restando como atribuição da Subprefeitura de Parelheiros a melhoria do sistema viário e reforma da ponte danificada em Mambu. Passaram-se meses e essas obras não foram realizadas.

Contudo, a melhoria do sistema viário, apesar de necessária, não impede a criação da linha, pois, o Transporte Escolar e o caminhão de lixo urbano já transitam diariamente. E apesar da viabilidade de circulação do transporte e da aprovação da linha, esta nunca saiu do papel.

Cansados de sermos enrolados, organizamos nós mesmos no dia 11 de abril a “Linha Popular Mambu/Marsilac”. A linha circulou das 5h às 18h, teve tempo médio de percurso de 1h, e esteve cheia durante todo o dia, revelando a existência de demanda por transporte. O aluguel do veículo custou R$600, quantia que pagamos a partir do dinheiro levantado em um bingo comunitário. O sucesso da experiência e o preço que pagamos provam que é plenamente viável a criação da linha para a Prefeitura.1

No entanto, não basta que a prefeitura crie uma linha comum (tarifada) na região. Reivindicamos a criação da linha Mambu/ Marsilac com Tarifa Zero.

Devido à localização de nossa região, no Extremo Sul do município, o tempo que gastaríamos no percurso para alcançar as áreas centrais ultrapassaria o tempo de integração do Bilhete Único Comum, obrigando-nos a pagar mais de uma tarifa em uma só viagem. Como a maioria da comunidade é formada por pessoas de baixa renda, que já estão excluídas da cidade e seus equipamentos, de nada diantaria a implantação de uma linha tarifada, que restringisse o acesso dos moradores.

Além disso, a baixa densidade populacional da região faz com que a operação de um serviço de ônibus custeado pela tarifa dificilmente seja rentável para as empresas. Se a implantação da linha reivindicada depende de que esta seja subsidiada, então a cobrança de tarifa pelo usuário deixa de ser necessária, pois a tarifa fica dissociada da remuneração da empresa operadora.

O projeto do novo Plano Diretor prevê o enquadramento da região do Marsilac como Zona Rural. E é sabido que no Estado de São Paulo diversos municípios adotam transporte público gratuito em suas áreas extremas ou rurais. Em São Bernardo do Campo, todas as linhas de ônibus que circulam na Zona Rural do município são gratuitas, como é o caso da 34B – Circular Pós-Balsa e da 05A – Circular Alvarenga / Eldorado. Em Ribeirão Preto há 29 linhas gratuitas em micro-ônibus que funcionam como linhas alimentadoras, chamadas Leva-e-Traz, ligando os bairros rurais afastados até o ponto de ônibus mais próximo onde passam linhas regulares. A tarifa zero é realidade hoje não apenas em zonas rurais como também no perímetro urbano. No Estado, as cidades de Paulínia, Potirendaba e Agudos não cobram dos usuários pelo uso do transporte público. No Brasil já chegamos à pelo menos sete cidades com tarifa zero, provando sua plena possibilidade.

Exigimos, portanto, uma reunião pública dos moradores diretamente com a prefeitura, para que o prefeito explique o descaso a que vem sendo submetida a população de nossa região e garanta definitivamente a criação da linha tarifa zero que reivindicamos!

Pauta de Reivindicações:

– Exigimos a criação imediata de novas linhas circulares gratuitas na região: Reserva/Embura e Mambu/Marsilac;
– Reivindicamos mais uma van operando na linha 6102/10 – Jardim dos Eucaliptos /Term. Parelheiros. Esta segunda van já deveria estar em operação, mas a linha segue com apenas um veículo, o que aumenta drasticamente o tempo de espera;
– Exigimos a melhoria das estradas;
– Reivindicamos, em caráter emergencial, a reforma da ponte danificada em Mambu.

Luta do Transporte do Extremo Sul
23/04/2014