Nota sobre o ato “Não vai ter tarifa” do dia 19.06

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Nota do MPL-SP sobre o ato “Não vai ter tarifa” de 19.06

Faz um ano que a população conquistou a revogação dos aumentos da tarifa. Essa vitoria só foi possível com muita luta nas ruas. Seguimos ocupando a cidade que é de todos, resistindo contra os poucos que querem fazer dela um negócio lucrativo. Realizamos um ato que tinha como objetivo a comemoração dessa vitoria popular no dia 19 de junho do ano passado. Por sermos um movimento social que luta por um transporte publico de verdade, para nós a revogação do aumento nunca bastou, por isso, essa manifestação era também uma luta pela tarifa zero. Fizemos uma grande festa popular em uma das principais vias da cidade, voltada para carros.

Com antecedência, anunciamos publicamente toda a proposta para o ato. Foi essa proposta que seguimos. Os manifestantes chegaram em segurança na Marginal Pinheiros, lá ocorreram diversões juninas, leitura de poesia, jogos de futebol, apresentações musicais e teatrais. Fizemos uma festa popular contrapondo-se ao espetáculo elitista da FIFA, com suas remoções forçadas e territórios de exceção. Mostramos a radicalidade da ocupação do espaço urbano.

A Polícia Militar de SP, acostumada a reprimir os manifestantes, agora se diz “traída” pelo Movimento Passe Livre. Diante disso é preciso fazer alguns esclarecimentos. O que manifestamos por escrito à Secretaria de Segurança Pública foi nossa preocupação com a presença ostensiva da polícia, tendo em vista as provocações e confrontos com manifestantes que ela sempre desencadeia. Isso não significa que a polícia não estivesse presente no ato. Tanto que ela se fez presente, com as ameaças, as provocações, os policiais a paisana e a repressão de sempre.

Entendemos a revolta da população com a constante repressão da polícia, dentro e fora das manifestações. Entendemos também que as pessoas tem direito de preservar a sua identidade, utilizando máscaras, para evitar a perseguição por parte do Estado, como vem ocorrendo com todas as pessoas que tem se manifestado. Além disso, sabemos que historicamente os quebra-quebras fizeram parte das lutas populares. Não cabe a nos legitimar ou deslegitimar essas ações, no entanto elas nunca estiveram entre os objetivos do ato do dia 19.

É lamentável a postura do secretário de segurança pública, Fernando Grella, de utilizar o ocorrido para voltar a criminalizar diretamente o MPL, tentando retomar um inquérito ilegal, indo novamente até a casa de militantes e intimidando seus familiares.

Não importa o quanto nos ataquem ou procurem desviar o foco, seguiremos na rua lutando por um transporte público de verdade, para os de baixo.

Por uma vida sem catracas!

Movimento Passe Livre – São Paulo (MPL-SP)

21.06.2014

ato-futImagens: Centro de Mídia Independente – São Paulo [ https://www.facebook.com/cmi.saopaulo | http://www.midiaindependente.org/ ] e Camarada D.

11 Replies to “Nota sobre o ato “Não vai ter tarifa” do dia 19.06”

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  4. Concordo com o que foi dito, mas acho prudente o movimento tomar uma postura contraria ao quebra-quebra. Isso já deixou de ser parte da luta, virou show pra imprensa sensacionalista.

    https://www.youtube.com/watch?v=QVg4Y3fcbPA

    A Policia faz vista grossa, chega até abandonar viatura pra ser depredada, e a imprensa grava o show pra passar no jornal nacional.

    Isso está afastando a opinião pública do movimento e sendo usado pela polícia para legitimar ações arbitrárias. Não só contra o MPL, mas contra outros movimentos e a população de baixa rende de modo geral.

    A polícia se omite e permite que se crie um caos (ou uma falsa imagem de caos) pra ganhar apoio para o uso indiscriminado da força. Eles sempre fizeram isso, historicamente.

  5. Minha cara Camila,

    A diferença fundamental em seu exemplo é que não foram convidadas pessoas para uma festa particular em um local particular e privado.1) Foi convocada uma manifestação pública para um local público. Na sua festa sim você tem direito de convidar e deixar entrar quem você queira, na rua não é assim. 2) Se quebrarem algo em sua casa cabe a você ou não cobrar de quem o quebrou, no caso de uma manifestação pública você vai cobrar de quem algum dano?. 3) Existe uma grande diferença em um ação direta com motivação política para melhorias mais do que justas na situação de marginalização da população brasileira de acesso aos serviços públicos básicos (não descarto o direito da concessionária de abrir um processo de ressarcimento) e pessoas que, daí sim, praticariam um vandalismo VERDADEIRO em sua residência como no seu exemplo. Veja que os black blocs não querem vandalizar seu habitat nem o de ninguem, mas tem táticas direcionadas para determinados locais em que a população não é atingida e os resultados deste “vandalismo” são sempre muito facilmente consertados (os carros tem seguro, os bancos tem $ de sobra para trocar um vidro, etc..). Veja também que os prejuízos causados pelos black blocs todos são muito irrisórios em comparação com todos os recursos do nosso bolso que são direcionados e desviados para a corrupção (este sim um baita de um vandalismo para toda a populção). O que acha?

  6. Camila, a rua não é “prédio” de ninguem… às manifestações vai quem quer e quem vai sabe que não há uma homogeneidade de ações, não é desfile de 7 de setembro não! Ninguem controla nem é responsável pela ação dos demais.

    É muito claro que a PM deixou que ocorresse dessa forma para poder criminalizar o movimento em seguida… já vimos esse filme!
    E sobre o quebra quebra, as ações black blocs e afins, eu acho é pouco!!!

    Ah, e fica tranquila que o “pão” dos trabalhadores correspondem só a um parafuso do motor de um carro da concessionária… e o patrão não vai falir,

  7. desculpa, eu apoiei vcs no inicio, vibrei com os primeiros passos, defendi mas sim, agora não posso dar razão, simples assim, se eu convidar pessoas para uma festa em meu predio e esses convidados quebrarem tudo, sem mais nem mesmo, eu pago, enteu, eu pago…nesse caso vcs convocaram, vcs garantiram e o evento criado e convidado por vcs estragou e deu prejuizo a pessoas que nao tem nada haver com o governo, que dependem de seus estabelecimentos para viver, ou seja, a festa de vcs lesou terceiros, simples, paguem os danos, vcs tem que pagar os danos sim e até que seja feito isso eu apoio o grupo que lutar por essa justiça universal a do quebrou pague…e por ora sou apenas uma mas saiba que muitos com quem falei compartilham da minha opinião. Vcs perderam a razão, se vcs tem problemas com a polícia, repressão, etc, simples, façam como o PCC e vão quebrar, chutar , queima posto polícial, delegacia mas não o ganha pão de cidadãos comuns iguais aos seus familiares, pais de amigos, como vcs se sentiriam se quebrasse e destruissem uma loja dos seus pais, do seus tios, dos seus vizinhos. Chega já, perderam a razão! Agora paguem os prejuizos. Quebrou paga ou conserta, simples.

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