A mudança vem de baixo

Artigo do MPL-SP publicado originalmente no jornal O Estado de S. Paulo (29/09/14)

Os protestos que tomaram as ruas de todo o País em junho de 2013 não se voltaram contra este ou aquele governo, muito menos clamaram por um novo representante. Ao forçar a revogação do aumento da tarifa, a população recusou uma decisão tomada em seu nome e agiu diretamente sobre sua própria vida. Interrompendo o trânsito, abriu um caminho explosivo: interveio diretamente na política, sem submeter-se a intermédios.

Não surpreende que, hoje, nenhuma das principais candidaturas apresente resposta ao problema do transporte coletivo.

Não surpreende que não apareçam sequer propostas no sentido de uma redução das tarifas ou da tarifa zero. É algo que não se pode esperar daqueles que estão inevitavelmente comprometidos com a conversão de toda a vida em mercadoria. E que precisam, para isso, que cada um se torne um espectador do jogo político, delegando a eles sua voz e seu poder de decisão.

Como mostraram as manifestações do ano passado, as transformações não vêm de cima, mas de baixo, dos que sofrem dia após dia em ônibus e vagões abarrotados, para ir e vir em uma cidade voltada para o lucro.

Desde junho de 2013, greves, ocupações e protestos, embora menos massivos, se multiplicam por todo o País. A resposta violenta do Estado é apenas mais um sinal do desconforto da classe dominante quando, para mudar a realidade, os explorados passam, cada vez mais, a confiar apenas nas suas próprias forças.

931158_593611437339602_763913759_n

2 Replies to “A mudança vem de baixo”

  1. Se é assim, então, por que o Governo Federal chegou, em um momento passado, a apresentar projetos de implementação de metrôs em várias cidades do país?

  2. “Não surpreende que, hoje, nenhuma das principais candidaturas apresente resposta ao problema do transporte coletivo.”

    Uai, mas transporte coletivo, no brasil, é gerido pelo Estado e pelas Prefeituras, não pela Federação. Então é de se esperar que nenhum candidato a presidente vá apresentar propostas para transporte público.

    Já no Estado de SP, o Padilha vem apresentando uma proposta de Bilhete Único Metropolitano, que seria uma evolução.