NOTA DAS MULHERES DO MOVIMENTO PASSE LIVRE A RESPEITO DO ESTUPRO NO METRÔ REPÚBLICA

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“Não se consumou o roubo do cofre. É importante que isso seja colocado para mostrar que há segurança onde se guarda os valores no Metrô”,
afirmou o secretário estadual de Segurança Pública, Alexandre de Moraes.

Nas ultimas semanas os jornais noticiaram que uma mulher foi estuprada em um dos pontos mais movimentados da cidade de São Paulo. A garota de dezoito anos trabalhava em uma cabine de recarregamento de bilhetes de transporte na estação República do Metrô e estava saindo do trabalho. Nesta estação circulam centenas de pessoas que embarcam diariamente em duas das linhas mais movimentadas da cidade. Os valores da tarifa que excluem milhares de pessoas do acesso à cidade estavam protegidas. As trabalhadoras, não.

O estupro aconteceu no dia 02 de abril, mas foi noticiado nos jornais apenas no dia 06, depois da denúncia de outrxs trabalhadorxs, que afirmam que o Metrô tentou abafar o caso. O absurdo de uma mulher ser estuprada dentro de seu espaço de trabalho, teoricamente seguro, já é o suficiente para evidenciar o quanto nossa sociedade oprime a mulher: a cultura do estupro e do medo, a falta de segurança no espaço de trabalho, a falta de distinção entre o corpo privado e o espaço público.

Esse caso é emblemático da luta cotidiana que a mulher trava ao embarcar no transporte público. As mulheres, parte expressiva do mercado de trabalho e chefes de família, são maioria no transporte público e suportam uma cota a mais da humilhação diária dxs usuárixs do transporte apenas por serem mulheres. Uma cota a mais de medo, de abusos, de desgaste econômico –já que em geral recebemos menos que os homens – de luta pelo corpo privado no espaço público. A violência é diária.

Os seguranças da linha amarela, privatizada, espancaram em junho de 2014 uma garota de 16 anos que não tinha dinheiro para a passagem, que não conseguia carregar o bilhete e pulou a catraca para ir trabalhar. Ela foi agredida com socos até sangrar e ficar desacordada. Agora, abril de 2015, fica mais uma vez claro que a prioridade da política de segurança do Metrô não é proteger xs usuárixs e trabalhadorxs, mas sim garantir o pagamento das passagens e o lucro do metrô e da ViaQuatro.

As catracas no transporte são também uma violência de gênero, condenando mulheres a ter seus corpos abusados em nome do lucro dos empresários e dos cartéis do transporte. Sabemos que não é a vigilância que acabará com os abusos contra as mulheres, já que, além de impossível, não é razoável que tenhamos que estar viajadas 24h para não sofrer violências. É necessária uma mudança radical na sociedade, que coloque fim ao poder dos homens sobre as mulheres. Nesse momento, é mais que necessário que o Governo do Estado e o Metrô assumam responsabilidade sobre a agressão sofrida por essa trabalhadora. A responsabilização é parte importante da construção do fim da cultura do estupro.

Todo nosso apoio e respeito a essa trabalhadora e a todas as mulheres que desafiam estatísticas e resistem cotidianamente às violências do transporte coletivo. O transporte coletivo só será um local seguro para mulheres quando xs usuárixs e seus/uas trabalhadorxs forem mais importantes que as catracas.

2 Replies to “NOTA DAS MULHERES DO MOVIMENTO PASSE LIVRE A RESPEITO DO ESTUPRO NO METRÔ REPÚBLICA”

  1. Meu nome é Marici, Trabalhei por 1 ano em uma empresa RPC que carrega o bilhete único em algumas estações do metro, trabalhei na Luz e São Bento, e sei que já aconteceram varios roubos aos funcionários e até um garoto que trabalhava em uma estação da zona sul, foi agredido dentro do metro e os seguranças não viram nada e não fizeram nada, este garoto fechou a cabine pq era hora de ir embora, 23:30 hs e chegou uma pessoa e queria carregar o bilhete, ele falou q ja tinha fechado, e qdo foi embora está pessoa estava esperando ele fora da cabine e bateu nele e ninguem viu, o garoto ficou internado por alguns dias e saiu da empresa, pq tb a empresa não fez nada e ainda falou q ele o funcionario tinha tratado o homem mal e por isto q apanhou, que ele deveria tratar os clientes melhor, e isto é mentira da empresa, eu trabalhei por 7 meses na estação Luz na saida pra Receita Federal, lá depois das 20 hs é bem deserto, principalmente aos finais de semana, e nunca passa nenhum segurança do metro, lá tem assalto todos os dias, e ja vi assalto na escada rolante dentro do metro, e ai como chamar um segurança, se ninguem passa por lá, há até ja roubaram 2 maquinas de recarga q fica ali do lado da cabine e ninguem viu, e tb ja roubaram um Tablet de dentro da cabine e ninguem viu, só no outro dia q viram q a cabine tava aberta, e ai q segurança estes funcionários tem? há e outras coisas q aconteceram por lá, assaltatram uma funcionaria no metro Bras e depois jogaram um monte de merda nela, e a empresa tb não v fez nada, ainda ficou como culpada, pq os seguranças tb não viu nada, e muitas outras coisas q acontecem por lá e ninguem ve e sabe de nada,

    só um desabafo

    obrigada

    MARICI

  2. Olá. Esta foto é resultado de uma ação realizada por mulheres de coletivos teatrais e outras militantes.
    Vocês poderiam, por gentileza, dar o crédito à fotógrafa? O nome dela é Daisy Serena.

    Ótimo somar com o texto.

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