NOTA SOBRE OS CORTES NO VALE-TRANSPORTE: VAI TER VOLTA!

Tem sido muitos os ataques dos de cima aos de baixo e no transporte não tem sido diferente. Só neste ano, além do aumento de 30 centavos nas tarifas de trem, metrô e ônibus, das limitações no bilhete único e dos investimentos ostensivos em privatização e militarização no transporte, que deveria ser público, o Prefeito Bruno Covas (com apoio do Governador João Dória) ainda aplicou cortes ao Vale-Transporte, um direito constitucional conquistado a partir das lutas sociais e sindicais dos anos 70 e 80.O decreto de Bruno Covas determinou a diminuição do número de integrações (de 4 para apenas 2 viagens em 3 horas) e a retirada do subsídio da Prefeitura, implicando um aumento de R$4,00 para R$4,57 na tarifa do VT. O corte na integração do Vale-Transporte representa uma maior exclusão social de trabalhadores(as) periféricos(as), que dependem de integrações para se deslocar diariamente da periferia ao centro, da casa para o trabalho. E a cobrança desigual da tarifa do VT, sem subsídio municipal, não significa uma maior taxação do setor produtivo, mas sim uma estratégia orçamentária para manter um sistema de transporte mercantilizado: retirar o subsídio do Vale-Transporte, para manter o lucro das empresas de transporte sempre aumentando. O Continue lendo NOTA SOBRE OS CORTES NO VALE-TRANSPORTE: VAI TER VOLTA!

NOTA DE APOIO – TODO A FORÇA À LUTA CONTRA OS CORTES NA EDUCAÇÃO!

O Movimento Passe Livre é um movimento social que luta por um transporte público de verdade, ou seja, que funcione de acordo com os interesses da população que usa e trabalha nele. O transporte é fundamental pra que a gente possa acessar todos os lugares que frequentamos ou gostaríamos de frequentar no dia a dia. Por isso, dizemos que enquanto ele não funcionar como um DIREITO, ou seja, enquanto não for GRATUITO, nenhum outro direito está garantido, porque só quem tiver o dinheiro pra pagar R$4,30 (pra ir, mais R$4,30 pra voltar!) poderá chegar a um hospital, um parque, uma escola ou qualquer outro lugar que supostamente seria público. Nesse sentido, a luta pelo transporte e a luta pela educação se conectam de muitas formas. Na cidade de São Paulo, a conquista do Passe Estudantil, em 2015 – após as manifestações contra o aumento da tarifa – é uma prova disso, porque ter que pagar a condução pra ir e voltar da escola muitas vezes faz com que estudantes faltem nas aulas ou tenham que fazer longas caminhadas a pé. Os recentes cortes e bloqueios nas gratuidades estudantis não só tem aumentam a evasão escolar, como impedem a educação em Continue lendo NOTA DE APOIO – TODO A FORÇA À LUTA CONTRA OS CORTES NA EDUCAÇÃO!

POLÍTICA DAS ELEIÇÕES X POLÍTICA DAS RUAS

Em 2013, depois de enormes manifestações que tomaram as ruas do país, aumentos de tarifa foram revogados em mais de 100 cidades e um importante passo foi dado na luta por um transporte realmente público. Os políticos foram obrigados a ouvir o que dizia a população porque sentiram a pressão. Dessa mobilização conquistamos a inclusão do transporte como direito social na constituição: a partir de um debate que se construiu na luta das ruas! Mas, desde então, o que foi feito da parte dos governantes para garantir esse direito e transformar ele em algo mais do que promessas? Em tempos de eleições muitos discursos vem à tona, candidatos disputam para se apresentar como aquele que vai trazer a mudança, resolver os conflitos, dar uma resposta às nossas insatisfações… Mas, apresentam nenhuma proposta para o transporte… Continuam se calando sobre a proposta de Tarifa Zero! Esse silêncio dos candidatos em relação à pauta do transporte indica que, da parte deles, nada estrutural será revisto e que manterão o compromisso com os empresários que lucram com o nosso sufoco. Não à toa, ao mesmo tempo, propõem um aumento da militarização, da vigilância e do controle repressivo sobre as nossas vidas: o aprofundamento Continue lendo POLÍTICA DAS ELEIÇÕES X POLÍTICA DAS RUAS

Passe Livre SP Mulheres: 5) Horizontes na luta contra as catracas

Somos a maioria nos transportes públicos, nos deslocando todos os dias para o trabalho, escola, faculdade e muitas outras atividades. Vivemos e construimos a cidade enfrentando as opressões de gênero, classe e raça. A conquista de creches e escolas, postos de saúde, linhas de ônibus e até mesmo bairros inteiros foram fruto de lutas protagonizadas por mulheres. No começo deste ano vimos também a luta pelo TEG (Transporte Escolar Gratuito), contra os cortes da gestão Dória-Bruno Covas, como mais um exemplo da organização de mulheres, mães periféricas em grande parte negras, pelo direito ao transporte e à educação. Mas apesar do enfrentamento, persistência, resistência e união dessas pessoas, essas lutas raramente são lembradas como “acontecimentos históricos”. Mesmo a esquerda muitas vezes não vê esses movimentos como movimentos “políticos”. Isso porque é dado destaque e maior visibilidade aos partidos e sindicatos, em sua maioria comandados por homens e com pautas ligadas a esfera do trabalho.  Já nas organizações com pautas ligadas às condições de vida, as mulheres são as principais participantes, por serem  historicamente responsabilizadas por garantir a sobreviência das famílias. Mas não foi fácil ocupar esses espaços públicos! Para ter nossa voz reconhecida, tivemos que bater de frente com nossos Continue lendo Passe Livre SP Mulheres: 5) Horizontes na luta contra as catracas

Passe Livre SP Mulheres: 4) violência de gênero no transporte

Historicamente, a circulação das mulheres na cidade é limitada e impedida, ficando aprisionadas e sob a guarda dos homens – pais, irmãos, maridos – seja por dependência financeira ou por outras violações. O confinamento à casa e isolamento das mulheres – a distância da família, amigas e amigos e de outros espaços onde se pode, por exemplo, buscar ajuda para enfrentar violências domésticas – são agravados pela lógica de transporte que temos. O acesso ao transporte depende de dinheiro e os homens são aqueles que detém o poder financeiro em muitas famílias.  Mesmo quando as mulheres são as maiores responsáveis pelas famílias, inclusive financeiramente, a estutura patriarcal (em que o poder é do homem) define os lugares onde as mulheres devem circular (mercado, escola, casa, trabalho), com quem circulam e os horários em que isso é permitido. Esse controle externo sobre as vidas e corpos das mullheres justifica e facilita agressões e até mesmo mortes (3). Simplesmente pelo fato se sermos mulheres, a cultura machista, cultura do esturpro, trata nossos corpos como objetos à disposição dos homens. Essa situação impacta nosso cotidiano também no transporte “público”. Nos vagões e nos ônibus, muitos homens que se aproveitam do aperto e da Continue lendo Passe Livre SP Mulheres: 4) violência de gênero no transporte