POR QUE A PRAIA CHEIA CHOCA MAIS QUE O BUSÃO LOTADO?

No debate sobre a responsabilidade pública e/ou responsabilidade individual em meio a pandemia, chamamos atenção pra uma violência cotidiana que é tratada como natural desde antes do Covid: O transporte coletivo lotado e desconfortável no qual precisamos passar horas todos os dias para ir e voltar do trabalho. As más condições do transporte, o preço cada vez maior e a limitação dos nossos deslocamentos a esse sentido casa-trabalho. Tudo isso é visto como normal, mas não deveria. E o absurdo dessas violências de antes da pandemia ficou ainda mais inaceitável nesse momento.Pra uma parte significativa das pessoas mais pobres no país não existiu qualquer condição de isolamento durante esses meses. Também na pandemia, quem sofre mais é quem sofre sempre.Então por que achamos razoável as pessoas se exporem diariamente ao contágio nos ônibus e trens lotados, mas as julgamos e culpamos quando a aglomeração é motivada pelo lazer ou pela luta? Não podemos esquecer que o responsável principal pelas mortes da pandemia, que já passam das 120.000, é o Estado.Nossas vidas não são feitas só de trabalho e valem mais que o lucro dos de cima. Vamos cuidar umas das outras e cobrar a responsabilidade dos de cima! SÓ A Continue lendo POR QUE A PRAIA CHEIA CHOCA MAIS QUE O BUSÃO LOTADO?

A MORTE POR COVID TEM CEP E OCUPAÇÃO

Pro estado, algumas vidas são mais vidas do que outras. A distribuição das mortes e contágios pelo corona vírus em São Paulo e no resto do país evidenciam que a parte da população que sofre mais com a pandemia é aquela que sofre sempre. Não tivemos um plano emergencial efetivo para o transporte coletivo. Quem não pode fazer quarentena e precisou continuar se deslocando pela cidade teve que enfrentar vagões e ônibus cheios, principalmente saindo das periferias. A retomada das atividades e o “novo normal” que querem os de cima é só mais uma forma de genocidio. E os alvos desse projeto de extermínio tem cor, endereço e ocupações específicas. Nossas vidas valem mais que qualquer ordem econômica!

Do Navio Negreiro às Catracas

O transporte, que deveria servir para aproximar as pessoas, permitir encontros e a apropriação da cidade em que se vive, tem funcionado como um perverso sistema de reprodução e aprofundamento de opressões. Não é à toa que dizemos que todo vagão ou ônibus tem muito de navio negreiro. Na verdade, bem antes dos ônibus, metrôs e trens, o primeiro transporte de massas que tivemos no Brasil foi feito pelos navios que traziam pessoas africanas escravizadas para trabalhar na colônia. As condições violentas em que eram trazidas mostram que eram vistas como simples mercadorias: quanto mais gente pudesse ser espremida no navio, maiores os rendimentos para os traficantes de escravos. Hoje, a maior parte das pessoas que dependem do transporte coletivo pra ir e voltar do trabalho são negras ou não-brancas, mulheres e periféricas. E as condições em que essas viagens acontecem são extremamente precárias. O custo da tarifa, as grandes distâncias, o longo tempo perdido, a lotação, as baldeações, a falta de manutenção dos veículos e trens, a falta de linhas de ônibus… tudo isso são consequências de um transporte que não trata os usuários como pessoas, mas como números. Isso revela que são impostas condições diferentes de mobilidade e Continue lendo Do Navio Negreiro às Catracas

NOTA SOBRE A PRIMEIRA MANIFESTAÇÃO CONTRA O AUMENTO: 4,40 NÃO DÁ!

Ontem, mais uma vez, ocupamos as ruas contra a tarifa e seus aumentos. Dessa vez, o ato se iniciou na frente da Prefeitura pra mandar o recado para o Prefeito Covas e seu amigo Doria: não vamos aceitar pagar cada vez mais, pra circular cada vez menos. Da frente da Prefeitura, a manifestação caminhou pelas ruas do centro, e com muito apoio popular pegou a Av. 9 de julho: paramos o trânsito de São Paulo! Ao chegar na Estação Trianon-MASP, mandamos o recado: não vamos pagar tarifa pra voltar pra casa! Mas ao invés de reconheceram nossas pautas como legítimas, os governantes mandaram as forças policias fechar a estação e defender as catracas. Toda essa violência para impedir nosso direito de ir e vir e defender o lucro dos empresários. Mesmo assim, não recuamos. Fechamos a Avenida Paulista e conseguimos entrar na estação e pressionar lá de dentro! Mais uma vez, a polícia reprimiu com agressões, spray de pimenta e terror psicológico. Por enquanto, temos notícia de cerda de 22 detenções arbitrárias de manifestantes que somente tentavam voltar pra casa sem pagar tarifa! Não vão nos proibir de lutar por um transporte verdadeiramente público! R$4,40 não dá! Convidamos geral a Continue lendo NOTA SOBRE A PRIMEIRA MANIFESTAÇÃO CONTRA O AUMENTO: 4,40 NÃO DÁ!

Nota em resposta à declaração de Lula sobre a revolta popular de 2013

Nós, do Movimento Passe Livre de São Paulo, lamentamos a forma desrespeitosa com que o ex-presidente trata as centenas de milhares de pessoas que saíram as ruas em 2013 – entre as quais certamente estavam muitas das que o elegeram. Infelizmente, na narrativa construída por Lula, a luta por um transporte verdadeiramente público é simplesmente apagada. Ao comparar a onda de protestos que aconteceu aqui àquelas que têm tomado diversos países da América Latina, ele afirma que a diferença é que no Brasil não fomos às ruas para lutar por direitos e não tínhamos reivindicações específicas. Nada poderia ser mais distante da realidade. Todas as manifestações que organizamos tinham um objetivo claro: fazer com que o aumento na tarifa dos transportes fosse revogado. Desde que o Movimento Passe Livre existe (ele foi fundado em 2005), toda vez que o preço das passagens de ônibus, trens e metrôs sobem, organizamos manifestações. Aliás, é importante lembrar que as lutas contra o preço das passagens acontecem desde que existe a tarifa. E que a luta para garantir que toda a população possa circular e acessar todas as infrestruturas da cidade é a luta que, hoje e sempre, virá dxs de baixo, dxs periféricxs, Continue lendo Nota em resposta à declaração de Lula sobre a revolta popular de 2013