A ‘MEDIAÇÃO’ DA POLÍCIA DAS CATRACAS

Governantes e empresários do transporte mais uma vez convocaram massivamente as forças policiais para tentar controlar o ato contra o aumento. Guarda Civil Metropolitana (padrão, IOPE e Guarda Ambiental) e Polícia Militar (padrão, CAEP, Força Tática, Batalhão de Choque com blindados israelenses, helicópteros, infiltrados e Cavalaria). Isso tudo, além da “novidade” dos policiais de coletes azuis, os ‘mediadores’. A única “mediação” que todas tropas propuseram foi o atraso e o bloqueio constante do ato, para tentar impedir que ocupássemos as ruas da cidade que nós construímos todo dia. A maior preocupação do Estado, a todo momento, foi evitar que a revolta dos de baixo à repressão – que se vê menos sem as bombas e tiros de balas menos letais – chegasse à luxuosa Avenida Paulista, monumento dos poderosos! Tentaram fazer com que o ato não saísse da concentração, tentaram fazer com que o ato terminasse na Praça Roosevelt. Não arredamos! Isso só mostra que os tais mediadores não se importaram, em nenhum momento, com o que chamam de democracia. Ao longo de todo o trajeto, tensionaram o ato travando a caminhada várias vezes. Tentaram proibir máscaras – ao mesmo tempo que usavam balaclavas sem identificação. Tentaram proibir hastes de Continue lendo A ‘MEDIAÇÃO’ DA POLÍCIA DAS CATRACAS

POLÍTICA DAS ELEIÇÕES X POLÍTICA DAS RUAS

Em 2013, depois de enormes manifestações que tomaram as ruas do país, aumentos de tarifa foram revogados em mais de 100 cidades e um importante passo foi dado na luta por um transporte realmente público. Os políticos foram obrigados a ouvir o que dizia a população porque sentiram a pressão. Dessa mobilização conquistamos a inclusão do transporte como direito social na constituição: a partir de um debate que se construiu na luta das ruas! Mas, desde então, o que foi feito da parte dos governantes para garantir esse direito e transformar ele em algo mais do que promessas? Em tempos de eleições muitos discursos vem à tona, candidatos disputam para se apresentar como aquele que vai trazer a mudança, resolver os conflitos, dar uma resposta às nossas insatisfações… Mas, apresentam nenhuma proposta para o transporte… Continuam se calando sobre a proposta de Tarifa Zero! Esse silêncio dos candidatos em relação à pauta do transporte indica que, da parte deles, nada estrutural será revisto e que manterão o compromisso com os empresários que lucram com o nosso sufoco. Não à toa, ao mesmo tempo, propõem um aumento da militarização, da vigilância e do controle repressivo sobre as nossas vidas: o aprofundamento Continue lendo POLÍTICA DAS ELEIÇÕES X POLÍTICA DAS RUAS

Passe Livre SP Mulheres: 5) Horizontes na luta contra as catracas

Somos a maioria nos transportes públicos, nos deslocando todos os dias para o trabalho, escola, faculdade e muitas outras atividades. Vivemos e construimos a cidade enfrentando as opressões de gênero, classe e raça. A conquista de creches e escolas, postos de saúde, linhas de ônibus e até mesmo bairros inteiros foram fruto de lutas protagonizadas por mulheres. No começo deste ano vimos também a luta pelo TEG (Transporte Escolar Gratuito), contra os cortes da gestão Dória-Bruno Covas, como mais um exemplo da organização de mulheres, mães periféricas em grande parte negras, pelo direito ao transporte e à educação. Mas apesar do enfrentamento, persistência, resistência e união dessas pessoas, essas lutas raramente são lembradas como “acontecimentos históricos”. Mesmo a esquerda muitas vezes não vê esses movimentos como movimentos “políticos”. Isso porque é dado destaque e maior visibilidade aos partidos e sindicatos, em sua maioria comandados por homens e com pautas ligadas a esfera do trabalho.  Já nas organizações com pautas ligadas às condições de vida, as mulheres são as principais participantes, por serem  historicamente responsabilizadas por garantir a sobreviência das famílias. Mas não foi fácil ocupar esses espaços públicos! Para ter nossa voz reconhecida, tivemos que bater de frente com nossos Continue lendo Passe Livre SP Mulheres: 5) Horizontes na luta contra as catracas

Passe Livre SP Mulheres: 4) violência de gênero no transporte

Historicamente, a circulação das mulheres na cidade é limitada e impedida, ficando aprisionadas e sob a guarda dos homens – pais, irmãos, maridos – seja por dependência financeira ou por outras violações. O confinamento à casa e isolamento das mulheres – a distância da família, amigas e amigos e de outros espaços onde se pode, por exemplo, buscar ajuda para enfrentar violências domésticas – são agravados pela lógica de transporte que temos. O acesso ao transporte depende de dinheiro e os homens são aqueles que detém o poder financeiro em muitas famílias.  Mesmo quando as mulheres são as maiores responsáveis pelas famílias, inclusive financeiramente, a estutura patriarcal (em que o poder é do homem) define os lugares onde as mulheres devem circular (mercado, escola, casa, trabalho), com quem circulam e os horários em que isso é permitido. Esse controle externo sobre as vidas e corpos das mullheres justifica e facilita agressões e até mesmo mortes (3). Simplesmente pelo fato se sermos mulheres, a cultura machista, cultura do esturpro, trata nossos corpos como objetos à disposição dos homens. Essa situação impacta nosso cotidiano também no transporte “público”. Nos vagões e nos ônibus, muitos homens que se aproveitam do aperto e da Continue lendo Passe Livre SP Mulheres: 4) violência de gênero no transporte

Passe Livre SP Mulheres: 3) A cidade das catracas, uma cidade machista, elitista e racista

A cidade dos carros e das catracas expressa uma sociedade elitista, machista e racista. Essas diferentes desigualdades, fazem com que a opressão de gênero afete de formas diferentes as mulheres, recaindo ainda mais brutalmente sobre as mulheres pobres e negras. Não à toa, a maior parte dessas mulheres vivem nas periferias, nas quebradas e nas favelas, onde prevalece a ausência de direitos mantida com uma política genocida do Estado. No trabalho, não apenas as mulheres recebem salários menores do que os homens que exercem a mesma função, como ocupam funções mais desvalorizadas no geral – por serem tidas como extensão da maternidade, como a limpeza, enfermagem e a educação – além de comporem a maior parte do trabalho informal e do desemprego. A situação do trabalho doméstico remunerado é bastante expressiva dessa realidade: 92% são mulheres e a maior parte são negras (2).  Ocupando trabalho precários, de forte herança escravocrata, essas mulheres tem a sua circulação ainda mais reduzida. Por ganharem pouco, não conseguem arcar com alto custo da tarifa e raramente recebem ValeTransporte. Por serem periféricas, perdem mais tempo no transporte. Por serem negras sofrem discriminação racial. Mas as mulheres, negras, periféricas, não apenas sofrem toda essa opressão, como Continue lendo Passe Livre SP Mulheres: 3) A cidade das catracas, uma cidade machista, elitista e racista