CAMPANHA NACIONAL POR TARIFA ZERO: “TRANSPORTE PAGO PELOS RICOS E CONTROLADO PELO POVO”

Destaque

A pandemia do Covid-19 escancarou a gravidade da superlotação dos transportes coletivos no Brasil. A precariedade que temos que enfrentar nos ônibus, vagões e trens ao longo de toda a vida agora tem levado ao contágio e à morte por Corona vírus de centenas de usuárias/os e trabalhadoras/es do transporte todos os dias. Este é o resultado de um sistema de transportes em que o lucro de ricos empresários é baseado nas catracas rodadas. Mais do que nunca precisamos transformar o funcionamento dos transportes coletivos no país. O Movimento Passe Livre luta definitivamente pela Tarifa Zero no transporte público em todo o Brasil. A base para que isso se torne uma política pública foi estabelecida no ano de 2015, com a definição do transporte como direito social constitucional – um fruto direto da revolta popular que tomou as ruas de centenas de cidades em 2013. Agora, estamos no período de disputa pela implementação deste direito. Desde o ano passado está em processo a sua regulamentação, o que significa que as possibilidades de alcançar uma política nacional de Tarifa Zero estão mais próximas do que nunca. Mas, como sempre, o resultado dependerá da nossa mobilização e pressão política. Nosso objetivo, no Continue lendo CAMPANHA NACIONAL POR TARIFA ZERO: “TRANSPORTE PAGO PELOS RICOS E CONTROLADO PELO POVO”

POR QUE A PRAIA CHEIA CHOCA MAIS QUE O BUSÃO LOTADO?

No debate sobre a responsabilidade pública e/ou responsabilidade individual em meio a pandemia, chamamos atenção pra uma violência cotidiana que é tratada como natural desde antes do Covid: O transporte coletivo lotado e desconfortável no qual precisamos passar horas todos os dias para ir e voltar do trabalho. As más condições do transporte, o preço cada vez maior e a limitação dos nossos deslocamentos a esse sentido casa-trabalho. Tudo isso é visto como normal, mas não deveria. E o absurdo dessas violências de antes da pandemia ficou ainda mais inaceitável nesse momento.Pra uma parte significativa das pessoas mais pobres no país não existiu qualquer condição de isolamento durante esses meses. Também na pandemia, quem sofre mais é quem sofre sempre.Então por que achamos razoável as pessoas se exporem diariamente ao contágio nos ônibus e trens lotados, mas as julgamos e culpamos quando a aglomeração é motivada pelo lazer ou pela luta? Não podemos esquecer que o responsável principal pelas mortes da pandemia, que já passam das 120.000, é o Estado.Nossas vidas não são feitas só de trabalho e valem mais que o lucro dos de cima. Vamos cuidar umas das outras e cobrar a responsabilidade dos de cima! SÓ A Continue lendo POR QUE A PRAIA CHEIA CHOCA MAIS QUE O BUSÃO LOTADO?

A MORTE POR COVID TEM CEP E OCUPAÇÃO

Pro estado, algumas vidas são mais vidas do que outras. A distribuição das mortes e contágios pelo corona vírus em São Paulo e no resto do país evidenciam que a parte da população que sofre mais com a pandemia é aquela que sofre sempre. Não tivemos um plano emergencial efetivo para o transporte coletivo. Quem não pode fazer quarentena e precisou continuar se deslocando pela cidade teve que enfrentar vagões e ônibus cheios, principalmente saindo das periferias. A retomada das atividades e o “novo normal” que querem os de cima é só mais uma forma de genocidio. E os alvos desse projeto de extermínio tem cor, endereço e ocupações específicas. Nossas vidas valem mais que qualquer ordem econômica!

A Tarifa Zero nas eleições municipais e fora delas: uma pauta urgente, possível e construída desde baixo

Destaque

A lotação dos ônibus, trens e metrôs em plena pandemia reforça a urgência de se rever o atual modelo de funcionamento desse serviço essencial que é o transporte coletivo. No atual modelo, as empresas recebem por catraca rodada e não pelo custo das viagens. Isso significa que quanto mais lotação – e maior o risco de transmissão de doenças – maior o lucro. É por isso que, com a diminuição no número de pessoas circulando, as empresas pressionaram os governos a reduzirem as frotas e a relaxarem as medidas de distanciamento social (1). É um modelo violento: a catraca rodada vale mais do que as nossas vidas. .Mas um transporte verdadeiramente público é possível. Um transporte que realmente sirva às nossas necessidades e em que todo mundo possa circular com dignidade e segurança. A solução pra isso é algo que gritamos nas ruas há anos: Tarifa Zero já! (2) .Se, hoje, a Tarifa Zero parece um horizonte muito mais possível, é graças às conquistas da luta popular por transporte, contra a tarifa e seus aumentos. O número de cidades com Tarifa Zero no Brasil e no mundo vem crescendo e, em 2015, como reflexo da revolta popular de junho de Continue lendo A Tarifa Zero nas eleições municipais e fora delas: uma pauta urgente, possível e construída desde baixo

Do Navio Negreiro às Catracas

O transporte, que deveria servir para aproximar as pessoas, permitir encontros e a apropriação da cidade em que se vive, tem funcionado como um perverso sistema de reprodução e aprofundamento de opressões. Não é à toa que dizemos que todo vagão ou ônibus tem muito de navio negreiro. Na verdade, bem antes dos ônibus, metrôs e trens, o primeiro transporte de massas que tivemos no Brasil foi feito pelos navios que traziam pessoas africanas escravizadas para trabalhar na colônia. As condições violentas em que eram trazidas mostram que eram vistas como simples mercadorias: quanto mais gente pudesse ser espremida no navio, maiores os rendimentos para os traficantes de escravos. Hoje, a maior parte das pessoas que dependem do transporte coletivo pra ir e voltar do trabalho são negras ou não-brancas, mulheres e periféricas. E as condições em que essas viagens acontecem são extremamente precárias. O custo da tarifa, as grandes distâncias, o longo tempo perdido, a lotação, as baldeações, a falta de manutenção dos veículos e trens, a falta de linhas de ônibus… tudo isso são consequências de um transporte que não trata os usuários como pessoas, mas como números. Isso revela que são impostas condições diferentes de mobilidade e Continue lendo Do Navio Negreiro às Catracas